Domingo, 6 de Novembro de 2011


“Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça o sono da morte” Sl 13:3


                Muitos de nós podemos fazer o mesmo tipo de súplica, às vezes não visualizamos o suficiente para continuar firmes na fé e no propósito para o qual Deus nos tem chamado. Às vezes os nossos olhos só contemplam trevas ao redor e precisam de ser iluminados pelo Senhor, porque se eu só vir trevas fico desanimado e vou acabar por adormecer. Ultimamente as pregações têm sido todas basicamente á volta do mesmo tema, reavivamento. Os pregadores falam do reavivamento como se fosse algo frenético, entusiasmante, acompanhado de manifestações físicas que por muitos são consideradas duvidosas. O reavivamento tem sido retratado como uma situação onde eu extravaso para chamar a atenção de Deus ou daqueles que estão á minha volta. Não escrevi este texto para dar uma definição àquilo que eu posso considerar um reavivamento, mas para reflectir acerca de alguns pontos que estes pregadores têm vindo a mencionar. Eles apontam várias classes para os crentes que são ou não “dignos” deste reavivamento. Ouve-se de tudo, crentes carnais, crentes mornos, crentes comprometidos, crentes descomprometidos, crentes espirituais, crentes de revelação, crentes “Raimundo” um pé na igreja e outro no mundo, enfim tantas definições para na verdade fazermos o que Jesus fez no evangelho de João. Deus não dividiu os fiéis em vários grupos de diferentes nomenclaturas, Ele falou-nos dos discípulos e da multidão.      Na igreja só há discípulos e multidão, a minha pergunta foca-se agora nalgo que ainda não compreendi, quem tem capacidade de avaliar se sou discípulo ou multidão? O que é ser discípulo? O que é ser multidão? Como é que hoje nós podemos estabelecer parâmetros ou normas para saber quem é digno ou não de receber certo tipo de revelações divinas ou o tão esperado reavivamento? Eu creio que nenhum de nós está a altura de fazer esta avaliação pelo menos de uma perspectiva humana. A bíblia fala-me de doze discípulos, doze homens cobardes que esconderam-se no momento que o Mestre mais precisava deles, doze homens que no seu grupo tinham um ladrão e traidor (Judas Iscariotes), um iracundo impulsivo com um feitio irremediável (Simão Pedro), entre outros, todos eles eram humanos, com falhas, com paixões e com ilusões acerca Daquele que os tinha chamado. O maior milagre feito no Novo Testamento antes da ressurreição de Jesus, para mim está registado em João capitulo 9, “ A cura do cego de nascença”, se me perguntarem o que mais me fascina neste milagre, é a verdade que nele se encontra implícita, Jesus usou saliva e lodo para restituir a vista ao cego, mas hoje pelos vistos Ele já não se limita a saliva e lodo, porque na igreja quem serve não é saliva e lodo, é perfeito, é integro, é moral, é puro, é um exemplo, a lista de virtudes é interminável assim como a lista de problemas tende a aumentar. Estamos cegos e dormimos o sono da morte, da morte espiritual, deitados numa sepultura fria de hipocrisia e falsa moralidade caiada como a dos fariseus, repleta de orgulho, de cobiça, de arrogância, de altivez. O lodo é moldado pela saliva, assim como o homem é moldado por aquilo que sai da boca de Deus, tens sido moldado? Consideras-te lodo? Tens te deixado usar para dar vista aos cegos de nascença espiritual que nunca viram nem iram ver Deus a menos que sejam por Ele curados ou tens deixado Deus “usar-te” como um carro alugado? Dentro de um certo prazo de tempo num determinado local. Se a multidão era censurada por seguir Jesus apenas por causa dos seus sinais eu indago-me até que ponto parte dos crentes não vêm a Deus por causa dos sinais. Até que ponto os nossos “discípulos” não servem na igreja para ter algum lugar de destaque e até alguma autoridade, quando lá fora não são ninguém. Enfim questões complicadas. Esta reflexão é uma pequena introdução para o assunto que senti de Deus compartilhar com todos aqueles que tiverem paciência de ler este texto chato e possivelmente desinteressante para a maioria. Ouvimos falar muito acerca de entrega, acerca de conversão genuína, acerca de ser seguidores e muitas das vezes ao longo do caminho há diferentes tipos de sonos nos quais nós nos recostamos. Falo por experiência própria que já dormi alguns destes sonos enquanto crente, sonos pesados que fazem eu deixar de ouvir Deus, que criam uma apatia na minha vida espiritual, muitos dormem estes sonos e infelizmente nunca acordam. Sinto que temos estado focados em resultados, queremos assistências aos cultos, queremos números, queremos indumentárias santas, mas temos menosprezado o mais importante, o estado do coração, a intimidade com o Pai, não temos mostrado às pessoas onde elas têm errado, que sonos têm dormido e o mais importante o motivo que as leva a dormir e as faz não quererem acordar. Neste texto queria falar acerca de quatro homens que dormiram quatro tipos diferentes de sonos que os levaram para longe de Deus, uns acordaram a tempo outros tarde demais. Já dormi alguns destes sonos não tenho vergonha de assumir os meus erros, acredito que tenho aprendido muito com os erros e hei-de continuar a aprender até morrer. Acho que a idade e a experiência no meu caso só apontam a ignorância que eu sinto em relação á vida, a incapacidade em atravessar os problemas e a necessidade que tenho da mão de Deus para me guiar. Quanto mais velho o ser humano fica, mais cego e mais iludido, porque nunca irá compreender a mente do Senhor nas mais variadas questões. Temos que estar dispostos a reconhecer que nada somos na Sua presença, e que na presença dos outros temos tantos podres e tantas marcas como cada um deles. O primeiro sono que quero expor é o de Elias e a palavra do Senhor diz-nos assim:
“E Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito, e como totalmente matara todos os profetas à espada.
Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses, e outro tanto, se de certo amanhã a estas horas não puser a tua vida como a de um deles.
O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo.
Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.
E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come.
E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas, e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se.
E o anjo do SENHOR tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho.
Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.” I Reis 19:1-7
                Gostaria de chamar a este sono o sono do desânimo, Elias tinha atravessado uma luta tremenda de dimensões espirituais e físicas contra os falsos profetas de Baal, em obediência a Deus ele confrontou um adversário numeroso. Depois desta vitória vemos que Elias foi intimado por Jezabel e ameaçado de morte. No seguimento deste relato bíblico vou me apenas focar nalguns pontos que considero relevantes para retratar este tipo de sono. O primeiro ponto de partida para a nossa reflexão é o isolamento, Elias deixou o seu servo em Berseba e decidiu ir sozinho para o deserto. A bíblia diz que ele caminhou durante um dia e sentou-se debaixo de um zimbro, não me é dito o que ele esteve a pensar durante aquele dia de caminhada mas quando ele sentou-se pediu a Deus a morte. Eu vejo desespero nestas palavras, ele não sentia mais nenhuma motivação ou alegria para viver, nem o chamado, nem a unção nada aparentemente o demovia da ideia de morrer. Depois deste desabafo ele foi dormir, e apareceu-lhe um anjo que o acordou e disse-lhe: “Levanta-te e come”, Elias comeu, bebeu e tornou-se a deitar, ele continuava desanimado. Por uma segunda vez o anjo tocou e disse: lhe “Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho”. A reacção de Elias foi diferente neste segundo apelo, o que é que isto tem a ver com a vida de muitos crentes? Tudo. Depois de atravessarmos provações e batalhas mesmo com milagres e com testemunhos encontramo-nos tristes e desanimados, nada corre como nós queremos. A primeira tendência é o isolamento, Elias deixou o seu servo em Berseba, nós deixamos aqueles que em amor nos vem servindo e auxiliando na igreja e ficamos fechados na nossa própria vida, este lugar é um deserto, não há vida no interior de um desanimado, há sequidão, há uma sede constante, durante o dia são altas temperaturas desconfortáveis, durante a noite um frio de morte. É esta a realidade daquele que adormeceu o sono do desânimo nada lhe importa, até pode aparecer um anjo, um mensageiro, para o instruir, para lhe dar direcção, ele assimila as suas palavras pode beber da sua água e comer do seu pão, mas volta sempre ao mesmo estado o sono do desânimo. No caso de Elias uma segunda abordagem foi o suficiente para o manter acordado no nosso caso é algo mais complicado, porque todas as mensagens servem para acordar um desanimado, mas nem todas são suficientemente reveladoras para o manter acordado. O anjo deu-lhe algo que o pode ter motivado, que o fez voltar para a realidade, o anjo disse-lhe que o caminho ainda ia ser muito longo, ele não iria morrer naqueles dias, ele ainda iria viver para ver as maravilhas do Senhor na sua vida, quando eu durmo o sono do desânimo eu estou iludido que a situação e o problema determinam a minha vida e põe-lhe um termo, mas com Deus eu posso suportar qualquer provação e manter-me firme no fim. A próxima vez que um irmão sai do caminho por qualquer motivo, eu não vou chama-lo desviado, não vou apontar-lhe o dedo, não vou atirar-lhe a cara que ele é um descomprometido que não se tem entregado o suficiente, eu vou chamar-lhe desanimado, vou levar-lhe o pão e a água e para além disso vou dizer-lhe que o caminho que ele tem que percorrer é muito longo e desta forma chamá-lo á realidade. Mas como se pode esperar isso da igreja quando esta não reconhece a sua própria realidade?
O segundo sono que a palavra nos relata é o sono da desobediência, para além de muitas das vezes me ter sentido desanimado, já fui desobediente. Não acredito que quem serve ou se auto intitula discípulo e seguidor é obediente em todas as situações, não foi esse o parâmetro que o Mestre revelou nos evangelhos, havia discípulos e seguidores desobedientes, assim como havia uma multidão que seleccionava os discursos do Mestre conforme lhe convinha. Nunca penses que és totalmente obediente, isso é o maior erro da tua vida, quando nos comparamos com os pecadores achamo-nos obedientes, mas Deus disse que me queria conforme á imagem e semelhança Dele, sendo assim porque quero me comparar com aqueles que não se assemelham em nada a Ele e acho-me o maior? Queres-te avaliar ou comparar os teus parâmetros cristãos com os de alguém? Faz isso com os parâmetros de Jesus com Ele próprio, esse é o alvo que tens que atingir os erros dos outros não me preocupam, não são os erros deles que me levam á perdição mas são os meus próprios erros. São esses que eu devo confrontar e a minha referência de comparação deve ser sempre Aquele que era, que é e que há-de vir. Aqueles que foram que são e que deixaram de ser não vão mudar a minha vida, nem me vão levar a viver a verdade. A palavra fala-nos acerca de um homem que dormiu no meio de uma tempestade, este é o peso e a surdez que pode provocar o sono da desobediência.
“E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença.
Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR.
Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se.
Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono.” Jonas 1:1-5
                Deus chamou Jonas para ir pregar na cidade de Nínive, a bíblia relata que Jonas tentou fugir da presença do Senhor comprou uma passagem de barco para ir para uma terra longe dali, provavelmente pensou que indo para um lugar onde não houvesse povo de Deus que Deus também não estivesse lá, depois disto o Senhor provocou uma tempestade no mar, a tempestade era tão forte que o navio onde Jonas se encontrava estava prestes a afundar-se. Cada tripulante desesperado começou a orar ao seu deus e atiraram as cargas para o mar, Jonas porém foi dormir no porão. A bíblia diz-me que não foi um sono qualquer, foi um sono profundo, como é que é possível eu dormir um sono profundo no decorrer de uma tempestade que provavelmente iria provocar a minha morte? Parece-nos estranha esta situação abordada por este prisma mas acreditem todos nós num momento ou noutro dormimos profundamente quando estamos em situações que nos vão levar a uma morte eminente. Para terminar o relato os marinheiros confrontaram Jonas e ele disse-lhes que o Deus dele estava a provocar aquela tempestade e que se o atirassem ao mar as coisas se acalmariam. Deus muitas das vezes chamou-me e tem chamado muitos para grandes obras, não precisam de ser grandes do nosso ponto de vista, mas do ponto de vista de Deus são importantes e únicas, qualquer um pode pregar, qualquer um pode-se converter, qualquer um pode testemunhar, pode escrever textos longos e chatos na internet, pode andar metido na igreja todos os dias mas Deus escolhe um a um por sua vez. Como Jonas a nossa tendência é fugirmos de Deus, compramos o bilhete de barco que nos vai levar para diferentes sítios, para o mundo, para a rebelião, sabemos uma coisa por certo. Que este barco que apanhamos chamado saída, atravessa o cabo da desobediência e leva-nos sempre para o meio de uma tempestade. Deus como nos ama e é Alguém de ideias fixas mesmo quando nós não queremos Ele quer, e para ser feita a sua vontade até tempestades faz virem do céu para mudar o nosso rumo. Eu acho este relato curioso por vários aspectos, imaginemos um homem que tem um chamado e rebela-se completamente contra Deus, apanhando o barco para o mundo, durante este percurso uma tempestade persegue-o por onde quer que ele ande. A tempestade é tão violenta que o barco deste homem está prestes a afundar-se, o barco que representa a sua vida, o seu trabalho, a sua família. O patrão dele clama ao dinheiro que é o seu deus, a esposa dele clama ao adultério que é o seu deus, a sua mãe clama ao estado terminal do cancro que é o seu deus, os filhos dele clamam aos vícios que são os seus deuses, cada um vai tentando tirar pesos do barco porque todos são tripulantes vítimas desta tempestade. Mas o homem zangado, revoltado e desapontado vai para o porão e dorme profundamente. Ele está-se nas tintas para o seu casamento, para os seus filhos para a sua carreira, se acabar acabou! Ele quer dormir profundamente. A única maneira de este homem salvar a sua alma e ser atirado para fora desta vida errante, egoísta, é ser engolido por um peixe como Jonas, para voltar a estar no caminho do chamado. Quando eu não vejo Deus, nem estou sensível ao seu chamado, eu não vejo os problemas que estão á minha volta e não me preocupo verdadeiramente com aqueles que me rodeiam. Sou egoísta e egocêntrico e essa é a principal base para desobedecer a Deus, quando eu quero fazer a minha vontade e não a dele. Quando eu não quero perdoar já estou dentro deste barco, e o meu irmão está a morrer com uma ferida no coração que eu provoquei de uma maneira ou de outra, e em vez de eu tirar este peso do barco eu vou dormir profundamente para o porão. É na tempestade que Deus manifesta a sua glória e o seu poder de uma forma mais visível e real, mas muitas das vezes aqueles que são Dele não clamam pelo seu auxílio ficam revoltados a dormir profundamente e aqueles que se encontram no mundo não hesitam em clamar aos seus deuses quando se vêem no meio de uma tempestade.
                O terceiro sono é o sono do prazer do pecado. O nosso terceiro personagem é um homem chamado Sansão.

“Vendo, pois, Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, mandou chamar os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque agora me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ter com ela, trazendo com eles o dinheiro.
Então ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força.” Juízes 16:18-19
                Sansão era alguém que tinha um chamado muito especial, ele era nazireu não podia ter certo tipo de comportamentos, tinha sido gerado por milagre, pois a mãe dele era estéril e foi levantado por Deus para ser uma espécie de zelador do povo de Israel, eles viviam um período conturbado de lutas com os filisteus e Sansão lutava com estes adversários dando Livramento ao povo de Deus. Dentro dos padrões de vida que Deus tinha dado a Sansão, este não podia ter nenhum tipo de relação com mulheres de outros povos. Mas Sansão conheceu Dalila e achou-lhe imensa piada. Dalila era filisteia e as suas intenções para com Sansão não eram as melhores. Ela queria descobrir a fonte da força de Sansão para poder entrega-lo ao seu povo a fim de acabarem com a vida dele. Avaliando a história do prisma de Sansão, ele estava apaixonado e cego pela paixão, por várias vezes ela tentou descobrir o seu segredo e deu vários motivos a Sansão que não era digna de confiança. Mas a sua cegueira não lhe mostrava isso. Esta é uma característica deste sono, ele embala-nos primeiro nos seus jogos, nos seus prazeres e só depois nos faz dormir. Sansão foi seduzido por Dalila, ela nesta situação pode personificar vários pecados pelos quais hoje muitos filhos de Deus são seduzidos. Ela representava algo proibido, inacessível, que Deus não permitia, ela era simplesmente a tentação que levou a cobiça dos olhos de Eva a provar o fruto proibido, era a fonte de paixões carnais que personificam hoje todos os nossos pecados e tentações. Sansão foi assim seduzido, depois da sedução o pecado cansa-nos e acaba com as nossas defesas, um alcoólico não começou assim… por ser alcoólico. Primeiro ele bebia normalmente e moderadamente (não considero o consumo de bebidas alcoólicas com moderação pecado), depois ele esticou a corda e começou a deixar de ser moderado passou a ser só uma vez por mês, depois todas as sextas-feiras, depois sábados e domingos, até que todos os dias ele começou a exceder os limites do álcool e adormeceu nos joelhos do álcool tornando-se um alcoólico. O mesmo podemos dizer da prostituição, tudo começa com um olhar, nós sabemos que aquele olhar pode-nos levar a um caminho de morte, mas continuamos a olhar até trocar palavras, palavras perigosas que nos levam a um jogo de sedução que termina na cama com “Dalila”, na cama com o pecado, quando eu durmo com o pecado e ao lado dele, já me encontro neste sono viciante, este sono leva-me até ao limite tira-me as minhas defesas e faz-me entregar a minha vida completamente, abrindo o meu coração para o pecado. Convence-nos que precisamos dele para viver e torna-nos cegos essa cegueira leva-nos a uma vida de sofrimentos e mal tratos muitas das vezes o homem não quer sair deste sono, porque não conhece nada melhor. O preço é muito caro, a bíblia diz que Sansão cedeu a Dalila, baixou as suas defesas e abriu o seu coração a Dalila, ela cortou-lhe o seu cabelo que era a base da sua força e da sua unção. Entrego-o aos filisteus e a bíblia relata-nos que eles arrancaram-lhe os olhos e prenderam-no. Eles levaram-no para o templo do deus deles, de forma a festejarem a sua vitória sobre o filho de Deus. É isso que acontece connosco, a permanência com o pecado e a confiança que nós lhe damos, faz com que ele retire as nossas forças e a nossa visão, para que nós pelos nossos próprios pés consigamos mais voltar para Deus, depois prende-nos e leva-nos para o santuário de Satanás que é o mundo onde somos escravos, torturados e humilhados todos os dias pelo poder do pecado. Não julgues o teu irmão por estar a dormir com Dalila, ele está cego, ele não vê, ele não consegue soltar-se porque está preso, ele está apaixonado. Não te aches melhor que ele porque um dia quem sabe também tu podes adormecer aos joelhos de Dalila. Sansão no fim pede a Deus que lhe concede força uma ultima vez para ele deitar as colunas do templo do deus dos filisteus ao chão. Deus concede-lhe essa forma e Sansão morre esmagado debaixo dos escombros do templo de um deus pagão, tudo começou com uma paixão pelo pecado, que Deus possa guardar cada um dos seus e em Jesus libertá-los dos grilhões do pecado, para que não sejam esmagados nos escombros do templo de um deus pagão, muitos são esmagados dentro de uma discoteca pela overdose, dentro de um clube de prostituição por um tiroteio. Felizmente hoje Jesus pode quebrar esses grilhões e tirar os escolhidos de Deus desse lugar. Tem compaixão daqueles que estão presos porque um dia tu também estiveste numa prisão e foi a misericórdia e o amor de Deus que te tiraram de lá, não foi o moralismo nem foi a presunção que hoje em dia muitos cristãos têm. O último sono é o sono da morte, e a nossa personagem é Lázaro.

“Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.” Jo11:11
                Efectivamente Lázaro encontrava-se mesmo morto, os judeus encaram a morte como uma espécie de sono, ou descanso eterno. Este sono de Lázaro é o culminar, a consequência de todos os sonos que têm aqui sido relatados. Se Elias continua-se a dormir debaixo do zimbro iria acabar por morrer de fome ou de sede porque o pão e a água iriam acabar, se Jonas continua-se no porão o barco se afundaria e ele acabaria por morrer e no caso de Sansão testemunhamos que ele acabou mesmo por morrer por causa do seu sono. Todo e qualquer sono espiritual leva a uma morte física, porque para Deus quando o meu espírito está morto, eu estou morto também nos meus pecados. Jesus disse “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;”. Há aqui uma esperança para todos aqueles que se encontram mortos, existem hoje em dia muitos filmes acerca dos zombies, eu vejo os filmes dos zombies como uma metáfora á sociedade actual. A depressão é algo comum nos dias de hoje. As pessoas tomam medicamentos para controlarem o seu humor e não se suicidarem, não tem propósitos de vida que as preencham, não tem sonhos, não tem forças para lutar, estão mortas por dentro, estão vazias. Como nos filmes os zombies andam atrás dos seres humanos normais para matá-los e devorar as suas entranhas, nós como zombies andamos atrás de um consumismo desenfreado que devoramos até às entranhas até não poder mais. Estas pessoas estão dentro de um sepulcro como Lázaro, tem um véu nos olhos como Lázaro, tem ataduras nas mãos e nos pés como Lázaro e têm uma pedra enorme á frente do seu sepulcro que não as deixa verem Jesus. A boa notícia é que há ajuda dores de Deus aqui na terra, há aqueles que tiram a pedra, depois de a pedra ter sido retirado este pessoa ouve a voz de Jesus o seu chamado e sai cá para fora. Depois há aqueles que tiram o véu dos seus olhos para ela ter a verdadeira noção da realidade e tiram as faixas dos seus pés e das suas mãos para que ela possa ter iniciativa e acção própria sem medicamentos, sem neuroses, sem depressões, sem ser escrava de um sepulcro. Esta pessoa deixa de ser zombie e passa a ser um ser humano. Que intenso que é um encontro com Jesus. È impossível eu explicar isto a um descrente ele tem que experimentar para ver que é real. Há que ouvir a voz Dele e há uma profecia que Deus tem falado ao meu coração que se encontra em Oseias2:14 “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.” Eu questionava-me a inicio porque é que Deus queria atrair Israel ao deserto para lhe falar ao coração? Porque é que Ele simplesmente não falava no sitio onde eles estavam? E então apercebi-me de uma grande verdade só no deserto tu podes esvaziar-te para ouvir Deus, só no deserto o ego não conta, só no deserto os títulos não contam, no deserto há desconforto para a carne e também para a cobiça dos olhos, durante o dia é um calor atormentador e á noite um frio insuportável, não há nada nem ninguém para ver a não ser areia, se eu me quiser orientar terá que ser pelo Sol e provavelmente muitas das vezes terei que olhar para cima porque se olhar para a esquerda, para a direita, para a frente e para trás vai-me parecer tudo igual mas ao olhar para cima eu poderei ver o agir de Deus e ouvir a sua voz no meu coração, só no silêncio ouves Deus, muitas das vezes não há silêncio nas nossas vidas, porque há muitas conversas, comentários, criticas, juízos, pro-activismo desmedido, ociosidade aflitiva nos ministérios. É só contrastes dentro da igreja no geral e da vida dos cristãos. Mas no silêncio do deserto, fora da nossa zona de conforto Deus fala ao nosso coração. E como o discípulo amado podemos ouvir as batidas do coração do Mestre. Hoje em dia muitos são pastores mas não são discípulos de Jesus não ouvem a sua voz nem o bater do seu coração, muitos são profetas mas não são discípulos de Jesus muitos são cristãos mas não são discípulos de Jesus, o que é que eu quero ser? Possivelmente um discípulo mas isso só é possível no deserto até que ponto queremos andar no deserto para ouvir Deus, é mais fácil ouvir um pregador com um texto decorado e bater umas palmas e dizer uns aleluias mas a vida fica exactamente na mesma dentro de uma sepultura a cheirar mal assim como a de Lázaro se encontrava. Que cada um saia da sua própria sepultura e tenha um encontro real com o Criador, desejo cada vez mais ouvir a voz Dele no meio do deserto e sei que muitos estão á procura mas o ego, tem atrapalhado o processo porque ninguém que se ama a si mesmo quer sujeitar-se ao deserto.
Em suma deixo estes versículos para todos aqueles que tiveram a paciência de ler esta mensagem até ao fim eu creio que ela surgiu do coração de Deus, sem grandes estudos, grandes teorias, muitos podem apontar erros teológicos, mas Deus brinca com a teologia para nos mostrar algumas verdades.

“Converte-te, ó Israel, ao SENHOR teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído.
Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios.” Oseias14:1-2

“O cristianismo não é uma organização natural. Não é uma fórmula. O cristianismo nasceu do espírito, e ópera através de princípios espirituais – princípios que transcendem as leis do Universo natural.” Roberts Liandon


Ricardo Gomes

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

A AUTORIDADE DO PASTOR

 Um texto interessante por

Hal Miller

Autoridade parece ser o assunto do momento para os cristãos. Pessoas escrevem livros após livros e fazem sermões após sermões sobre quem tem autoridade sobre quem e porque. Professores devem ensinar com autoridade, maridos reivindicam autoridade sobre suas esposas, “pastores” precisam de autoridade sobre suas “ovelhas”. Não podemos falar sobre igrejas sem nos concentrarmos no seu governo. Parece que somos incapazes de pensar no casamento sem perguntar quem tem autoridade nele. Nem mesmo atentamos para a Bíblia, sem que antes primeiramente tenhamos ouvido as últimas sobre sua autoridade. Isso parece um sério problema.
Talvez o problema seja maior nos Estados Unidos, pois usualmente nos imaginamos como não sujeitos a qualquer autoridade (N. do T. – O autor deste artigo é norte-americano). Pensamos em nós mesmos como “livres”, capazes de fazer o que quisermos, ainda que nossas vidas estejam repletas de pessoas e estruturas que exigem nossa obediência. O policial na esquina e o pessoal do Imposto de Renda têm autoridade. Autoridade não é apenas a possibilidade de obrigar as pessoas a agirem de determinada forma. Isso se chama “poder”. Poder é compartilhado pelos policiais e pelos ladrões, embora só os policiais tenham “autoridade” – a capacidade moralmente legítima de obrigar aos outros. Na verdade, esta é a nossa noção comum de autoridade: a capacidade de obrigar aos outros, respaldado (se necessário) pela força. Porém, essa noção não funciona quando transferida para contextos cristãos. Jesus e seus discípulos tinham uma visão muito diferente de autoridade.
O inquietante ensinamento de Jesus com respeito à autoridade entre Seus seguidores contrasta com a experiência deles em quaisquer outras sociedades. Ele lhes disse: os reis dos gentios se apossam das nações e aqueles que sobre elas têm autoridade são chamados “benfeitores”. Eles exercitam seu poder e tentam (com mais ou menos sucesso) fazer o povo pensar que isso é para seu próprio bem. Mas, na igreja não deve ser assim. Nela, pelo contrário, aquele que lidera deve ser um servidor e aquele que é o maior deve ser como o mais jovem (Lucas 22:24-27). Antes que passe o impacto disso, você deve parar para refletir que o mais jovem e o servidor são precisamente aqueles sem autoridade no senso mundano normal. Não obstante, assim é a liderança entre o povo de Jesus.
Desafortunadamente, quase sempre nos esquivamos da força deste perturbador ensino transformando-a em retórica piedosa. Fazemos o estilo de “servos”, mas atuamos como reis das nações exercendo autoridade. Porém, mesmo os reis das nações tratam de fazer com que sua autoridade seja aceitável, legitimando-a com uma retórica piedosa – por isso, se auto-intitulam “benfeitores”. Então, de que forma somos diferentes? Se desejarmos viver como seguidores de Jesus, devemos considerar seriamente Seu critério de que líderes são como crianças e servos, sem autoridade.
O aspecto mais óbvio do que o Novo Testamento tem a dizer sobre liderança e autoridade é a falta de ênfase que nele se percebe, sobre o assunto.Por exemplo, de todas as principais cartas de Paulo, só em Filipenses 1:1 se faz uma menção passageiras aos líderes. No geral, ele ignora o assunto, como o fazem outros autores bíblicos. Os primeiros seguidores de Jesus permaneceram em silêncio a respeito de liderança e autoridade. Esse silêncio é bastante significativo.
O Novo Testamento usa duas palavras que correspondem a diferentes aspectos do que queremos dizer com “autoridade”. A primeira, dunamis, é usualmente (e corretamente) traduzida por “poder”. Esta palavra é menos importante para nós, pois embora “poder” possa ser associado a alguns tipos de autoridade, também pode existir sem autoridade. Alguém que porte uma arma tem poder sobre os demais, porém isso não lhe confere necessariamente autoridade.
Ainda assim, valeria a pena ver quem tem dunamis (poder) no Novo Testamento. Se recorrer a uma concordância bíblica, você encontrará que possuem poder: Deus, Jesus, o Espírito, assim como os anjos, demônios e “principados e potestades”. Estranhamente, seres humanos não têm poder em si mesmos, sendo energizados apenas por esses outros poderes, O ministério do evangelho, os milagres dos apóstolos e a vida dos crentes são todos condicionados ao “poder de Deus”. Surpreendentemente, o Novo Testamento raramente (se tanto) reconhece seres humanos com “poder” em si mesmos – o poder sempre chega às pessoas de alguma outra fonte.
As coisas se tornam mais interessantes quando nos voltamos para outra relevante palavra grega: exousia. Esta palavra é usualmente traduzida como “poder”ou “autoridade” e é o mais próximo equivalente que temos à nossa palavra “autoridade”. O novo Testamento enumera como quem tem exousia essencialmente aqueles que têm dunamis: Deus, Jesus, o Espírito Santo, anjos e demônios. Porém, agora a lista se estende àqueles humanos que não somente são energizados por autoridade do alto, mas que também têm autoridade em si mesmos.
Vemos então que reis têm autoridade para governar (Romanos 13:1-2) e os discípulos de Jesus têm autoridade sobre as doenças e espíritos (Mateus 10:1). Os crentes têm autoridade sobre várias facetas de suas vidas: suas posses (Atos 5:4), o comer, o beber e o casarem-se (1 Coríntios 11:10). O que é surpreendente, entretanto, é que o Novo Testamento não diz uma palavra sobre um crente tendo autoridade sobre outro. Temos plena autoridade sobre coisas e até sobre os espíritos, mas nunca sobre outros cristãos!
Considerando toda a ênfase que demos à discussão acerca de quem tem autoridade na igreja, isso deve ser surpreendente. Reis têm autoridade sobre seus súditos; Paulo tinha autoridade outorgada pelo sumo sacerdote para perseguir aos cristãos (Atos 9:14 e 26:10-12). Porém, na igreja, não se fala de nenhum crente que tenha exousia sobre outro, independente de sua posição ou prestígio. O Novo Testamento nada fala sobre um crente ter autoridade sobre outro. Temos autoridade plena sobre coisas, até sobre espíritos, mas jamais sobre outros cristãos, com exceção das passagens em 2 Coríntios 10:8 e 13:10, onde Paulo nos fala sobre ter “autoridade” para edificar, não para destruir. Isso faz parecer que, pelo menos ele, tinha exousia sobre outros crentes. É verdade que alguém tem que superinterpretar os textos, para transforma-los em um a verdadeira exceção, já que em ambos os casos não se fala de autoridade “sobre” alguém, mas autoridade “por” um propósito.
Ainda que aceitando que esta superinterpretação seja plausível, a exceção dificilmente seria verdadeira, quando levamos em conta duas coisas: primeira, Paulo, nessa parte de sua carta, está falando “como louco”, como ele mesmo admite. Ele evita reclamar autoridade sobre outros, quando fala “sobriamente” e é improvável que se sentisse satisfeito conosco usando seu “louco” discurso como base única para reclamar que os líderes da igreja tenham autoridade espiritual sobre outros crentes; segunda, o contexto da carta é caracterizado pela persuasão. O profundo significado disso ficará claro no devido tempo.
Paulo usa de muita conversa, tratando de persuadir aos coríntios a que o escutem. Se ele “tinha autoridade” sobre eles, no conceito que temos dela, então qual a razão para a preocupação? Por que simplesmente não dar as ordens e pronto? A resposta, como veremos, reside na natureza peculiar da relação entre os líderes e os outros crentes.
Porém, antes de tratarmos disso, devemos evidenciar que Paulo carecia de autoridade, no sentido com que o mundo a usa normalmente (poder moralmente legítimo), inclusive aqui onde supostamente ele mesmo o afirma. Isso nos deve prevenir bastante no sentido de não basearmos a autoridade dos líderes meramente nas duas frases em 2 Coríntios.
Agora, analisemos as coisas de outro ângulo. Em vez de perguntar quem tem autoridade no Novo Testamento, devemos fazer a pergunta oposta: “A quem deve alguém obedecer?”. A resposta também é interessante: se fizermos uso de hupakouo, que é o equivalente grego de “obedecer”, você verá que devemos obedecer a Deus, ao Evangelho (Romanos 10:16) e ao ensino dos apóstolos (Filipenses 2:12 E 2 Tessalonicenses 3:14). Crianças devem obedecer aos seus pais e servidores aos seus mestres (Efésios 6:1-5). Porém, devem os crentes obedecer aos líderes das igrejas? Se assim é, os escritores do Novo Testamento diligentemente evitaram dize-lo.
Mas, o que dizer de Hebreus 13:17, que prescreve “obedeçam aos seus guias?”. Este texto é interessante, pois ele pode oferecer-nos uma visão do lado positivo do entendimento a respeito da liderança no Novo Testamento. Até agora, coloquei ênfase no negativo – que as lideranças não têm autoridade no nosso sentido usual e que os crentes não são chamados a obedece-las. Porém, apesar de tudo isso, o Novo Testamento mostra que existem líderes nas igrejas locais, que são reconhecidos como tal e que suas existências e ministérios são importantes para a saúde do corpo.
Qual é o lado positivo desse entendimento de liderança? Em Hebreus 13:17 há uma pista. Se você examinar o verbo traduzido por “obedecei” no texto citado, descobrirá que ele é uma forma da palavra peitho, que significa “persuadir”. Na forma usada aqui, ele significa algo como “deixe-se persuadir por” ou “tenha confiança em”. Isso nos é de valia. Os crentes devem deixar-se persuadir por seus líderes. E o resto da igreja deve ser “parcial” a favor, ao ouvir o que ele tem a dizer. Devemos permitir-nos ser persuadidos por nossos líderes, não os obedecendo cegamente, porém argumentando com eles e estando abertos para o que estejam dizendo. (Agora fica claro por que era tão importante que as declarações de Paulo em 2 Coríntios estivessem em um contexto de persuasão. Ele estava tentando persuadir aos outros a se deixarem persuadir por ele).
O outro verbo usado em Hebreus 13:17 reforça essa conclusão. Quando o texto destinava-se a exortar as pessoas a que se “submetessem” aos líderes, não era empregada a palavra grega para “submeter”. A palavra normal é hupotassomai, que designa algo como alguém se introduzir em uma organização sob o mando de outra pessoa. Assim, algumas vezes somos instruídos a nos submeter aos governos (Romanos 13:1, Tito 3:1), aos papéis sociais aos quais estamos obrigados (Colossenses 3:18 e 1 Pedro 2:18) e às “instituições humanas” de nossa sociedade (1 Pedro 2:13).
A palavra aqui, porém, é diferente. Ela é hupeiko e ocorre somente aqui, no Novo Testamento. Ela denota não uma estrutura à qual alguém se submete, mas uma batalha depois da qual alguém se rende. A imagem é de uma séria discussão, um intercâmbio, depois do qual uma das partes se entrega. Isso encaixa perfeitamente com a noção de que devemos nos deixar persuadir pelos líderes da igreja, em lugar de simplesmente nos submetermos a eles como poderíamos fazer ante os poderes existentes e as estruturas da vida.
Tudo isso faz sentido, no critério de anciãos ou supervisores nas epístolas pastorais. Nesses escritos, caráter – e não carisma ou capacidade administrativa – é a coisa mais importante sobre os líderes. Eles devem ser “respeitáveis”. Se supusermos que eles devem ser persuasivos, então faz sentido que devam ser altamente respeitáveis, pois esse é o tipo de pessoa cujas palavras nos inclinamos a considerar muito seriamente. O tipo de respeitabilidade definido aqui acrescenta credibilidade à palavra dos líderes e, portanto, nos dá a confiança de nos abrirmos para sermos persuadidos por eles.
Porém, há mais. A capacidade de persuasão desses líderes depende da verdade. Provavelmente, se os líderes erram em seus julgamentos, mas estão seriamente empenhados em servir, não ficarão felizes se alguém os acompanhar no erro. Um líder que tenha carisma para fazer as pessoas acreditarem em algo que não seja verdadeiro e o faz, é verdadeiramente demoníaco. Ser persuadido de uma mentira é a pior forma de escravidão. Os líderes da igreja estão atados à verdade e a defendem acima de tudo, no seu serviço aos outros.
Essa necessidade de servir à verdade é a razão pela qual o Novo Testamento enfatiza a obediência ao evangelho ou ao ensino dos apóstolos, em lugar do ensino dos líderes. A confiança gerada pelo serviço é perigosa se não estiver coordenada com uma cotidiana obediência às verdades do evangelho. Se o busca da verdade não for a base da liderança do corpo, a verdade que se pode criar pelo serviço é outra, uma forma mais sutil de poder – o poder ao qual chamamos manipulação.
A persuasão pressupõe diálogo – e o diálogo requer a participação ativa de todo o corpo. Nosso entendimento comum de autoridade isola os líderes e os coloca acima dos que estão sob sua autoridade. A liderança de serviço genuíno, no entanto, tem suas bases no diálogo que o acompanha. Os líderes da igreja não precisam da retórica piedosa dos reis nem da força que existe por trás dela. Ao contrário, por serem persuasivos, eles podem confiar no diálogo como o campo e o canal de seu serviço.
Assim, a genuína liderança da igreja é baseada no serviço, na verdade e na confiança e não na autoridade. Líderes da igreja são chamados pela verdade que emana de suas vidas, dignas de serem imitadas e respeitadas, verdadeiras vidas de serviço. Esse tipo de vida gera a confiança dos demais. Assim, os líderes, como os demais membros do corpo, estão sempre em comum sujeição à verdade que está em Cristo.

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Atalaias

"E acampar-me-ei ao redor da minha casa, contra o exército, para que ninguém passe, nem volte; para que não passe mais sobre eles o opressor; porque agora vi com os meus olhos" Zacarias 9:8

As coisas espirituais discernem-se espiritualmente,  quem não é espiritual não as entende e hão-de sempre parecer-lhe loucura. Cada igreja tem um enviado do Inferno especializado junto aos lideres do ministério. Este por sua vez estipula outros agentes, para através de crentes que têm pontos de contacto com o reino das trevas introduzirem-se dentro da Igreja e se possível estabelecer os seus próprios reinos em cada ministério. Eles introduzem-se no louvor promovendo a vaidade, o orgulho e idolatria. Introduzem-se na liderança instalando a sua mornidão e muitas das vezes a apatia espiritual, introduzem-se na intercessão promovendo discórdias e desentendimentos entre a liderança e este ministério. Introduzem-se em ministérios proféticos gerando falsas profecias e levando muitos a agirem carnal-mente dentro da igreja. O opressor do pecado e da acusação tem assim ganhado terreno dentro dos vários ministérios. Cada vez mais podemos observar escândalos nos lideres cristãos e nas grandes igrejas, muitos crentes estão mornos e parece que são mais usados pelo diabo do que pelo "seu" suposto Deus. "...porque agora vi com os meus olhos" Quem são os olhos de Deus? Os seus atalaias aqueles que vêem e discernem o mundo espiritual. Os atalaias encontram-se na torre de vigia, eles estão nos muros eles observam e reportam é essa  a sua função. Na igreja aqueles que exercem o ministério de intercessão e vigia não devem tomar decisões face àquilo que vêem, devem reportar aos superiores para que estes tomem as medidas correctas. Deus é organizado e tudo na igreja tem que ser feito com organização.
"Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade.
E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.
Porventura envergonham-se de cometer abominação? Pelo contrário, de maneira nenhuma se envergonham, nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar, tropeçarão, diz o SENHOR.
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele.
Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas dizem: Não escutaremos." Jeremias 6:13-17 
Estas palavras vêem ao encontro daquilo que aquilo estamos a falar. Muitos ministérios caracterizam-se pela avareza e pelo interesse próprio daqueles que estão a servir. O evangelho é superficial e ineficaz não resolvendo nem transformando verdadeiramente a vida dos crentes. Uma vez que são valorizadas as bênçãos financeiras e as ofertas, negligenciando-se a santidade, a transformação do carácter pela Palavra de Deus e os mistérios de Deus. Estes ministérios desviaram-se da sã doutrina e a fé para eles é um grande meio de adquirir fortunas, e sucesso. Orgulham-se por igrejas cheias de fiéis ofertantes que não são fieis ás palavras do Senhor nem estão ensinados a ser crentes nascidos de novo. O pecado não é enfatizado e praticamente tudo é permitido, desde os divórcios, ao sexo antes do casamento, ao uso de roupas com cariz sexual no grupo de louvor, entre outras situações. Vende-se a salvação a troco de bênçãos distorcendo assim os versículos para beneficio próprio e levando muitos no engano. Jesus disse, um cego leva outro cego para o abismo. Eles na verdade estão cegos e nem têm noção do seu erro. Deus tem colocado atalaias crentes que oram e cujo principal interesse é servir a Deus e buscar a sua glória mas estes não têm sido ouvidos. 
"Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido." Habacuque 2:1 Vigiem crentes, porque o Senhor vai perguntar a cada um quais têm sido as nossas obras.